Por: Kamila Schneider | 1 semana atrás

Um repasse realizado pela Câmara de Vereadores de Guaramirim ao Hospital Santo Antônio irá ajudar a manter o centro cirúrgico da instituição em funcionamento pelos próximos meses. O recurso, no valor de R$ 50 mil, é fruto de um enxugamento realizado pelo legislativo em seu orçamento anual e será destinado para a realização de cirurgias gerais. Segundo o gestor do hospital, Jocélio Voltolini, a expectativa é de que até março do ano que vem o município tenha zerado a fila de espera para as cirurgias de hérnia e vesícula. Além disso, a reativação do centro cirúrgico é um importante passo para ampliar a captação de recursos federais, destaca o gestor.

De acordo com Voltolini, inicialmente serão realizadas na faixa de cinco cirurgias por semana, alcançando uma média de 20 a 25 cirurgias por mês. Os procedimentos serão realizados por um cirurgião geral e por um anestesista concursados, com carga horária de 20 horas semanais. “Por enquanto serão realizadas cirurgias de hérnia e vesícula e futuramente estudamos ampliar para outras especialidades, como otorrinolaringologia e ginecologia, por exemplo”, afirma.

Estima-se que atualmente cerca de 40 pacientes estejam na fila para os procedimentos de hérnia e vesícula no município. Segundo um levantamento da Secretaria de Saúde, cada cirurgia deverá custar, em média, R$ 1 mil para o poder público. Inicialmente serão atendidos apenas moradores de Guaramirim, mas para o ano que vem o intuito é ampliar o atendimento para pacientes de municípios vizinhos, como Schroeder, Corupá e Massaranduba.

Segundo a secretária de Saúde, Ivone Luz, foram necessários cerca de dois meses para que o centro cirúrgico estivesse totalmente apto para a realização das cirurgias. “O processo começou em agosto e durou até outubro. Neste período foi feito todo o preparo da estrutura e da equipe, sendo que a contratação dos dois profissionais foi feita por meio de um termo de ajustamento de conduta entre o município e o Ministério Público”, aponta a secretária.

Por se tratar de uma instituição gerida pelo poder público, a contratação de profissionais para o hospital é feita somente através de concurso público, o que torna o processo mais burocrático e demorado. Por isso, dentre as propostas estudadas pela Prefeitura para o próximo ano está a possibilidade de remodelar a gestão do hospital, adotando o modelo de Organização Social. Se concretizada, a ideia permitirá que a unidade realize as contratações de forma direta, acompanhando de forma mais ágil as demandas do município.

Além de atender à uma demanda importante de saúde da população, a reabertura do centro cirúrgico irá permitir que o hospital busque novas fontes de recursos junto ao Governo Federal e ao SUS (Sistema Único de Saúde), destaca Voltolini. “O hospital poderá participar, por exemplo, do mutirão de cirurgias eletivas do governo de Santa Catarina, que é um recurso ofertado para vários municípios do estado”, exemplifica ele. Para que isso se torne realidade, entretanto, é necessário que o hospital apresente uma série histórica que comprove sua capacidade cirúrgica, acrescenta Ivone. “Desta forma, as primeiras cirurgias precisarão ser feitas com recursos próprios do município, de forma a termos uma série histórica de pelo menos três meses que nos permitam ir atrás de outros recursos”, detalha a secretária de saúde.

Atualmente são destinados aproximadamente R$ 840 mil mensais para a administração do hospital, valor que engloba o salário de mais de 100 profissionais, além de exames, insumos e a manutenção da estrutura. Do total de recursos destinados à instituição, apenas 15% são provenientes do SUS, enquanto o restante é custeado pelo próprio município.