Por: Claudio Costa | 11/01/2018

Indicador oficial de inflação do país, o Índice Nacional de Preços ao Con­sumidor Amplo (IPCA) fechou 2017 com a menor alta acumulada em 19 anos: 2,95%. O resultado ficou 3,34 pontos percentuais abaixo do registrado em 2016, de 6,29%, e 1,30 ponto acima do menor resultado desde 1998, de 1,65%. Os dados foram divulgados pelo Insti­tuto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (10).

Em dezembro, o IPCA fechou em 0,44%, 0,16 ponto acima do resultado de novembro (0,28%), na maior variação mensal do ano. Em 2016, o IPCA para o mês foi de 0,3%. Segundo o vice-pre­sidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) para o Vale do Itapocu, Célio Bayer, o resultado demonstra estabilidade e recuperação na economia. “Acredito que isso foi in­fluenciado principalmente pelo ano de recuperação e pela baixa taxa de juros”,

O indicador ficou 2,95% abaixo da meta fixada pelo Copom, de 4,5% – com possibilidade de variação para cima ou para baixo de 1,5%. O resultado também ficou 0,05% abaixo do piso da meta, de 3%. Esta é a primeira vez em que a in­flação fica abaixo do piso desde que o sistema de metas foi estabelecido, em 1999. Segundo Bayer, a preocupação agora é com o ano de 2018 e se será pos­sível manter o quadro atual da economia. “Temos uma grande preocupação com os aumentos dos combustíveis e da energia, que afetam toda a economia”, explica.

Alimentos ajudaram a conter a inflação

Dos nove grupos que compõe o ín­dice, o setor de alimentação e bebidas foi o que mais contribuiu para conter a inflação. Responsável por cerca de um quarto das despesas familiares, o segmento acumulou deflação de 1,87%, o primeiro ano deflacionário do setor desde a implantação do plano real, em 1994. Nos alimentos consumidos em casa, a deflação foi de 4,85%, com des­taque pronunciado das frutas: 16,52%, sendo sozinhas responsáveis por uma queda 0,19 ponto no IPCA.

O resultado é consequência da safra do ano, 30% maior do que a de 2016, se­gundo o gerente do Sistema de Índices de Preços ao Consumidor no IBGE, Fer­nando Gonçalves. Em dezembro, o setor agrícola havia expressado preocupação com os preços no segmento – na região, rizicultores demonstraram preocupação com o preço da saca de arroz, em queda acentuada desde dezembro de 2016: de uma alta de R$ 47,50, a saca caiu para R$ 37,50. Segundo Bayer, o setor é sujeito a oscilações e isto deve afetar o mercado da região. “Infelizmente, quando se trata da agricultura, o que rege é a lei da oferta e da procura, en­tão quando se tem uma boa safra, em contrapartida os preços diminuem, e isso gera instabilidade”, diz.

Em contrapartida, o setor de trans­portes demonstrou alta, particularmen­te no último mês do ano, compondo sozinhos 41% do IPCA de dezembro. A gasolina subiu em média 2,26%, en­quanto o etanol subiu 4,37%. A maior taxa inflacionária ficou com as passa­gens aéreas: 22,28%. Como um todo, o setor de transportes acumulou alta de 1,23% no mês de dezembro.