Por: Pedro Henrique Leal | 12/01/2018

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil viveu em 2017 seu menor processo inflacionário em 19 anos: apenas 2,95% de variação no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o medidor oficial de inflação do país. No entanto, esta não é a percepção do consumidor, que olha o dado divulgado nesta quarta-feira (10) com desconfiança.

“Só o índice abaixou. Na prática, não mudou nada”, frisa o gerente de contas Paulo Kugler. Em seu ver, os dados divulgados pelo IBGE não conferem com a realidade. “O dinheiro continua sem valor e os preços continuam subindo. Algumas coisas tiveram deflação, mas não acho que se reflita no dia a dia”, adiciona.

O industriário Marcelo Klein é mais direto em sua desconfiança: “Eu acho que muita coisa é mascarada pelo governo. Tá difícil engolir esse número”, comenta, a respeito dos 2,95% divulgados pelo IBGE. “No combustível, na conta de luz, na água, tudo isso aumentou muito. E é nisso que se sente mais”,  explica. Em um aspecto, Klein concorda com os dados do IBGE: as despesas com alimentos não tiveram grande variação em seu dia a dia.

Percepção contrária daquela da doméstica Zirma Goulart da Silva, que viu seu poder de compra minguar ao longo de 2017. “No começo do ano, com R$ 200 dava para comprar bastante coisa no supermercado. Agora se sai com duas, três sacolinhas”, explica.  Para ela, o que tem diminuído “não é a inflação coisa nenhuma, mas sim o nosso salário”.

A disparidade entre os dados e a realidade é compartilhada pelo empresário Jackson Luiz Miller, do ramo de sistemas de informação. “A única coisa que teve deflação, por mim, foram os meus sistemas”, diz, destacando que abriu mão de reajustes em seus preços para não perder clientes devido ao cenário da economia. Assim como Zirma, Miller tem notado a diferença nas compras do cotidiano. “As compras que eu fazia antes com R$ 300, R$ 400, agora me custam R$ 500. Se o IBGE dissesse que a inflação estava na casa dos 10%, eu achava mais aceitável, ainda estaria fora da realidade, mas não tanto quanto esse valor, que não sei de onde tiraram.”

Dados do Procon indicam deflação na cesta básica

Apesar da percepção do consumidor ser a de que não houve redução no crescimento da inflação – quanto menos que houvesse deflação – os dados de mercado do Procon de Jaraguá do Sul indicam que, ao menos nos itens da cesta básica, houve redução nos valores: dos 13 itens que compõe a cesta básica, apenas a batata aumentou o seu preço mínimo no mercado Jaraguaense – indo de R$ 0,98 para R$ 1,59, um aumento de quase 60%. O preço máximo também cresceu: de R$ 2,15, passou para R$ 2,55.

Outros itens se mantiveram estáveis – como o café, que teve uma pequena redução em seu menor preço na pesquisa do Procon  (R$ 5,75, contra R$ 5,99 em dezembro de 2016) ou a farinha de trigo, que teve variação de dois centavos em seu preço mais alto na pesquisa. A maior parte dos itens da cesta básica, no entanto, tiveram deflação – a mais significativa sendo no preço da banana branca: de uma faixa de R$ 1,89 a R$ 5,79, o quilo do fruto caiu para uma faixa de preços de R$ 1,58 a R$ 3,39.

 

Itens da cesta Básica – Faixa de preços  – 1 kg salvo onde especificado

 

2016

Açúcar Refinado – R$ 2,29 – R$ 3,20

Arroz – R$ 2,09 –R$ 2,99

Banana Branca – R$ 1,89 – R$ 5,79

Batata (Suja)  – R$ 0,98 – R$ 2,15

Café (Pó – 500g) – R$ 5,99 – R$ 8,99

Carne (Coxão Mole) – R$ 16,98 – R$ 24,69

Farinha de Trigo – R$ 1,55 – R$ 2,39

Feijão Preto – R$ 5,39 – R$ 7,49

Leite tipo C (1 litro) – R$ 1,85 – R$ 2,38

Manteiga (200g) – R$ 4,48 – R$ 6,28

Óleo de Soja (900m) – R$ 3,15 –R$ 3,79

Pão francês – R$ 4,99 – R$ 8,80

Tomate – R$ 1,49 – R$ 2,99

 

2017

Açúcar Refinado – R$ 1,69 – R$ 2,39

Arroz – R$ 1,78 –R$ 2,39

Banana Branca – R$ 1,58 – R$ 3,39

Batata (Suja)  – R$ 1,59 – R$ 2,55

Café (Pó – 500g) – R$ 5,75 – R$ 8,99

Carne (Coxão Mole) – R$ 16,95 –  R$ 23,80

Farinha de Trigo – R$ 1,55 – R$ 2,41

Feijão Preto – R$ 2,89 – R$ 4,99

Leite tipo C (1 litro) – R$ 1,69 – R$ 2,58

Manteiga (200g) – R$ 3,99 – R$ 7,15

Óleo de Soja (900m) – R$ 2,99 –R$ 3,89

Pão francês – R$ 3,99 – R$ 8,29

Tomate – R$ 1,49 – R$ 3,45

(Fonte: Procon)

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