Por: Claudio Costa | 1 semana atrás

Uma reunião do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Cultural, Arqueológico, Artístico e Natural (Comphaan), no dia 22 deste mês, vai decidir o destino do prédio do Hotel Dassi, na esquina da avenida Marechal Deodoro da Fonseca com a rua Expedicionário Cabo Harry Hadlich, no Centro de Jaraguá do Sul. Na segunda-feira (13), a equipe do jornal O Correio do Povo observou as rachaduras que tomam conta da estrutura que pegou fogo em março deste ano.

Segundo o engenheiro do Setor de Patrimônio da Prefeitura de Jaraguá do Sul, Carlos Baratto, parte do imóvel ficou comprometida porque as recomendações para manter a segurança das paredes não foram cumpridas pelos donos do imóvel tombado pelo patrimônio histórico municipal. O prédio da década de 40 foi construído em estilo art déco e abrigou o antigo Hotel Cruzeiro. No mês de outubro, uma audiência com representantes da Prefeitura, os advogados dos donos da edificação e o Ministério Público foi feita no Fórum.

Rachaduras na estrutura que pegou fogo em março deste ano | Foto Eduardo Montecino/OCP

“Foi definido, por sugestão do Ministério Público, uma reavaliação no grau de tombamento do prédio. Outra sugestão foi a preservação das paredes externas, mas que pudesse ser feita uma nova construção por dentro, com técnicas e materiais mais modernos”, comenta Baratto, ao observar que o prédio de quartos pequenos pode ficar com um grande salão e que o antigo piso de madeira pode ser substituído por concreto armado, por exemplo. “Desse modo, haveria um enquadramento nos padrões atuais na parte interna e a parte da volumetria deverá ser mantida. Essa sugestão foi aprovada por todas as partes envolvidas”, completa.

Baratto afirma que o prédio está atualmente no nível 2 de preservação. A classificação permite algumas adequações internas para novos usos, desde que não altere drasticamente as características originais. Como o prédio tem 80 anos, ele tem entrepisos de madeira e divisões pequenas porque sempre foi um hotel.

Prédio tem 80 anos e nível 2 de preservação | Foto Eduardo Montecino/OCP

Com a sugestão do Ministério Público, a intenção é rebaixar o nível para a classificação 3, em que intervenções podem ser feitas na estrutura e há apenas a necessidade de manter a fachada. “O estilo art decó tem uma série de elementos característicos, como faixas, molduras e detalhes que devem ser mantidos”, ressalta o engenheiro.

AÇÃO PARA SEGURANÇA 

A Prefeitura entrou com uma ação na Justiça para que os donos do imóvel façam intervenções para manter a estabilidade e a segurança no local até que seja definido o destino do prédio. Segundo ele, em diversos momentos, os donos e seus representantes manifestaram interesse em demolir o prédio. “Se houver uma solução com técnicas de construção modernas, nós apoiamos. O Setor de Patrimônio quer que isso seja feita da melhor maneira possível, desde que seja tecnicamente viável”, reflete Baratto.

Há uma outra questão que precisa ser deliberada e definida. De acordo com o engenheiro, o prédio pode ser demolido ou reformado. “Há uma questão de entendimento e que precisa ser discutida pelo Comphaan. Os advogados que representam a família dona do prédio querem que tudo seja demolido para o prédio ser reconstruído conforme o desenho original. Pelo registro da audiência, a gente entende que as paredes seriam mantidas. Algumas partes da fachada da rua Cabo Harry Hadlich precisariam de intervenções. A estrutura seria rebaixada, intervenções seriam feitas. A gente chama isso de desconstrução. Pelo prédio ser tombado, a parte externa deveria ser mantida, principalmente a fachada que dá para a avenida Marechal Deodoro da Fonseca”, ressalta.