Por: Ana Paula Gonçalves | 14/01/2018

 

 

No início do século passado, as mulheres imortalizavam sua beleza em raras fotografias confeccionadas sem muitos recursos. Além da maquiagem, que não era utilizada por grande parte delas, e dos penteados mais elaborados, os atributos femininos eram naturalmente destacados e, talvez por isso, seja comum que as pessoas se encantem com fotos antigas. Foi a partir de uma imagem postada nas redes sociais que uma bela moça que no ano de 1930 conquistou o título de Miss Jaraguá do Sul e de Miss Joinville chamou a atenção da redação.

Em concurso organizado na época pelo próprio jornal “O Correio do Povo”, a professora jaraguaense Marfiza Fancker de Mira, então com 19 anos, conquistou inicialmente o título de Miss Jaraguá, que até então era apenas um distrito de Joinville. Como o município-sede, no caso Joinville, não promoveu o concurso naquele ano, ela passou a ostentar o título de Miss Joinville também, concedido pelo jornal.

Marfiza com amigas na beira de um rio (ela é a segunda à direita) | Foto Acervo da Família Mira/OCP

O resgate da história da jovem que representou a beleza feminina daquele tempo, sendo escolhida pelos leitores, e que venceu outras seis concorrentes, foi feito por sua neta, Sônia Wendt Nabarro, já que Marfiza morreu em 1996, aos 85 anos.

Sônia conta que, de acordo com material de dissertação publicado no site da Udesc, naquele período os leitores do jornal enviavam seu voto para a redação, que contabilizava e anunciava a vencedora. Na referida edição do concurso, foram mais de 1.200 votos entre as candidatas. Sua avó recebeu 396 votos, 111 a mais que a segunda colocada. Em publicação do OCP, consta que o elogio à candidata vencedora foi feito com uma curiosa explicação. “A senhorita Marfiza Fancker é um fino ornamento de nossa sociedade – professora provisória ultimamente diplomada –, extremamente simpática e possuidora de um coração que, agora, se vai abrindo às esperanças da vida…”.

Marfiza Fancker (originalmente Fancher, mas cuja grafia mudou ao longo dos anos) de Mira nasceu em Jaraguá do Sul em 2 de fevereiro de 1911, filha do imigrante italiano Delírio Fancher e de Edwiges Gonçalves. Os títulos que ostentou em 1930 foram um momento marcante, conta Sônia. “Ela guardou até a velhice o recorte do jornal da época, mas quando morreu acho que o recorte se extraviou”, recorda a neta.

Marfiza e o marido, Salvador, com as filhas ao centro segurando dois dos netos (o bebê à direita é Sônia Nabarro). Mais à frente está o filho mais novo do casal, Rogério | Foto Acervo da Família Mira/OCP

 

Dois anos depois de conquistar o título, Marfiza se casou com o ferroviário Salvador Cândido de Mira, em Curitiba, em 8 de outubro. Residiu em Guaramirim e depois retornou a Jaraguá do Sul. Exercendo a profissão de  professora, deu aulas em uma escola municipal em Guaramirim até por volta de 1935 e, no início dos anos 1950, passou a trabalhar na empresa telefônica em Jaraguá do Sul, onde era responsável pela contabilidade.

Morou  no município até o fim dos anos 1950, quando se mudou para Curitiba. Teve quatro filhos: Arlete, Odete, Jamil e Rogério (apenas Jamil é falecido). Ela morreu na capital paranaense em 13 de fevereiro de 1996, pouco depois de completar 85 anos.

Atualmente, os descendentes de Marfiza moram em Curitiba e, segundo Sônia, nenhuma das filhas e netas seguiu os passos da ex-miss em relação a concursos de beleza. “As duas filhas, apesar de terem sido bem bonitas – sou suspeita para falar de minha mãe e minha tia – nunca participaram de concursos de beleza, casaram muito cedo”, conta Sônia.

Sempre elegante, Marfiza, na faixa dos 50 anos, na década de 60, passeia pela rua 15 de Novembro, no centro de Curitiba, com a filha Arlete | Foto Acervo da Família Mira/OCP