Por: Claudio Costa | 1 semana atrás

Um acidente envolvendo duas crianças mobilizou os moradores da rua Campo Alegre, no bairro Ilha da Figueira, em Jaraguá do Sul. Kemily Dalsoquio Barbosa, de três anos, e Ana Luiza Gomes, de quatro, estavam brincando na garagem de casa com um triciclo, desceram uma rampa, atravessaram a rua e caíram de uma altura de aproximadamente dez metros, em um ponto íngreme e sem proteção.

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Os moradores pedem a construção de um muro de contenção no ponto, que teve a condição agravada por um deslizamento ocorrido durante as chuvas de 2008. Segundo eles, uma árvore caiu e levou parte do passeio. Atualmente, o trecho da rua tem apenas três metros de largura, o que dá passagem apenas para um carro. “A nossa rua é muito estreita. Quando vem um carro, os ciclistas vêm embalados por causa da descida e acabam tendo que se jogar para o lado”, comenta, explica a moradora Juliana Matuszaki.

Ela explica que, em 2008, técnicos da Prefeitura foram até o local e realizaram medições, mas disseram que a obra era inviável pelo custo. “Vai precisar morrer alguém para a Prefeitura vir tomar providências. Quando ocorreu a chuva, o barranco desmoronou e a rua ficou estreita. Vieram aqui e disseram que o custo de construção de um muro de contenção para alargar a rua seria muito alto. O que é R$ 100 mil para a Prefeitura? Não é nada”, relata Juliana, ao ressaltar que os moradores estão organizando um abaixo-assinado.

Moradores pedem a construção de um muro de contenção no ponto, que teve a condição agravada por um deslizamento | Foto Eduardo Montecino/OCP

Com uma chuva mais forte e contínua, o medo é que a rua volte a desabar. “Se desce um volume de água maior aqui, olha a estrutura da rua. Não há nada que segure. Ainda há o peso dos veículos que passam todos os dias por aqui”, afirma Juliana. Ela mostra que na época do desmoronamento foi feita um pequeno meio-fio de cerca de dez centímetros.

A comunidade também pede a instalação de um guard rail para dificultar a queda de pedestres, ciclistas ou veículos, e instalação de sinalização. “Antes de eu morar aqui, já caiu carro dessa altura, inclusive é filho do meu vizinho que mora lá embaixo”, relata a moradora. Juliana comenta, ainda, que seria necessária a colocação de duas lombadas físicas para coibir o excesso de velocidade.

Outros dois pedidos foram registrados no abaixo-assinado feito pelos moradores. O primeiro deles é o corte de uma árvore que fica em uma curva. Para eles, a planta apresenta um risco porque impede a visão de quem está descendo e de quem está subindo, aumentando assim o risco de acidentes no local. O segundo é a manutenção do calçamento da via. Os paralelepípedos estão soltos e acabam causando estragos nos veículos.

De acordo com o diretor de Defesa Civil de Jaraguá do Sul, Hideraldo Colle, os técnicos já foram na rua Campo Alegre para verificar a situação de perto. Agora, o órgão está entrando em contato com outras secretarias para avaliar qual a melhor solução para as reivindicações feitas pelos moradores.

APESAR DO SUSTO, CRIANÇAS PASSAM BEM 

O acidente que feriu Kemily e Ana Luiza aconteceu no dia 1º de dezembro, por volta das 19 horas. Após caírem de uma altura de dez metros, Ana Luiza teve um trauma no rosto e Kemily fraturou o fêmur esquerdo. “Estávamos eu e a dona Ana, que é avó da Ana Luiza. Elas estavam brincando com a bicicletinha e elas passaram por nós. As duas desceram a rampa da garagem e eu vi elas voando. Eu cheguei a correr atrás delas, mas caí. Foi horrível ver aquela situação e não poder fazer nada, não ajudar. Eu queria salvar as duas, mas não consegui. Graças a Deus acabou dando tudo certo para as duas”, revela Maria Dalsoquio, avó de Kemily.

Ana Luiza foi liberada do hospital nesta terça-feira (5). Kemily passou por uma cirurgia no fêmur e, de acordo com a assessoria de imprensa do Hospital e Maternidade Jaraguá, ainda se recupera em um dos quartos da unidade.