Por: Márcio Schalinski | 4 anos atrás

Ontem, Dia Nacional do Livro, a saga dos imigrantes germânicos em solo catarinense foi resgatada aos estudantes dos quarto e sexto ano do ensino fundamental no teatro do Sesc, em Jaraguá do Sul. O tema foi desenvolvido pelo diretor, professor de idiomas e escritor Augustinho Buss, autor da obra “Terras da Esperança – A trajetória dos Irmãos Buss em Santa Catarina”, em coautoria com Alselmo Buss e Toni Jochen. A obra, com tiragem de 1,5 mil exemplares, foi publicada de forma independente em 2002 com distribuição dirigida.

A apresentação do palestrante, membro imortal da Academia de Letras do Brasil – Seccional Jaraguá do Sul, integrou as atividades alusivas à Semana do Livro e da Biblioteca do Sesc.
No painel “Imigração Alemã no Sul do Brasil”, Buss iniciou com perguntas à plateia e oportunizou aos alunos expressarem sobre a origem étnica das próprias famílias e histórias dos antepassados, numa época em que era comum uma mulher ter mais de dez filhos. Ao relatar os resultados da pesquisa que empreendeu durante oito anos, a partir de documentos da Alemanha e do Brasil para compor a árvore genealógica, conseguiu prender a atenção da plateia.

Ele traçou um paralelo da dura vida dos imigrantes alemães a partir da história do trisavô, Johann Bernard Buss, que partiu de Stadlohn, no Noroeste da Alemanha, e chegou ao Brasil com a esposa, Helena Christina Wilmer, e o filho, Walter Buss, então com dez anos, em 1863. Estabeleceu-se onde hoje é o município de São Bonifácio, no sul catarinense. A casa em enxaimel, que foi construída pelo bisavô do autor, dez anos depois da chegada ao país, ainda é habitada por descendentes.

“Os imigrantes precisavam viajar até 80 quilômetros para vender os produtos, numa caravana de 10 a 15 cavalos ou mulas. Eles mesmos tiveram de abrir estradas e contratavam professores para os filhos”, enfatizou. “Santa Catarina é um Estado novo e o melhor do país. Os imigrantes foram guerreiros, pelo Estado que ajudaram a construir”, comentou.