Por: Camila Silveira Rosa | 4 anos atrás

O novo secretário de Desenvolvimento Econômico e Sustentável de Santa Catarina (SDS), Carlos Chiodini (PMDB), prepara-se para tomar posse oficialmente. Prevista para ocorrer ontem (2), a solenidade acabou não acontecendo e será remarcada de acordo com a agenda do Executivo. Em entrevista ao OCP, Chiodini afirmou que nesta semana a pasta irá definir onde serão feitos os cortes determinados pelo governador Raimundo Colombo (PSD), que na semana passada pediu aos secretários para apresentarem propostas que resultem na redução de 20% do custeio global do governo. Ano passado, Santa Catarina gastou com a folha de pagamento 47,74% da Receita Corrente Líquida, ultrapassando o limite prudencial estipulado pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que é de 46,5%, e quase atingindo o limite máximo, de 49%. A SDS tem, atualmente, 150 servidores. Segundo Chiodini, mais de 95% dos comissionados são técnicos e não há terceirizados.

Na entrevista, Chiodini destacou que a proposta é valorizar as empresas catarinenses, mesmo antes de atrair empreendimentos internacionais. “Nós queremos valorizar nossa gente, o povo catarinense é empreendedor, temos ótimas empresas e não queremos que elas se mudem.”

A política do governo do Estado de incentivos fiscais à importação será mantida, conforme o secretário. Em 2014, a balança comercial catarinense fechou com saldo negativo de US$ 7 bilhões. “Precisamos avaliar bem estes balanços, somos um Estado inovador, economicamente ativo e o um dos poucos no Brasil que se mantém crescendo mesmo com tempos de instabilidade”, ressaltou.

Reivindicação regional, o secretário reafirmou a luta para que o governo do Estado duplique o trecho urbano da BR-280, entre Guaramirim e Jaraguá do Sul. Ele lembrou que a empresa está selecionada para executar a obra, mas espera trâmites burocráticos que tornarão o trecho estadual e não mais federal.

Entrevista com o secretário de Desenvolvimento Econômico e Sustentável de Santa Catarina (SDS),  Carlos Chiodini

Qual será a primeira ação na SDS?

Já fui nomeado, mas, ainda não empossado por questão de agenda. Porém várias ações são realizadas desde janeiro. A equipe de trabalho foi montada e junto com o secretário adjunto, Daniel Lutz, estamos trabalhando em um projeto para os próximos quatro anos, com planejamento e buscando começo, meio e fim. Fiz um estudo do que vinha sendo feito pela secretária (Lucia Dellagnelo) e o que for bom será ampliado.

Que desafios o senhor identifica na economia catarinense?

Primeiro, manter o crescimento. O próximo passo é fortalecer a multidiversidade do setor produtivo já instalado, como o têxtil, cerâmico, metalmecânico, agroindústria, tecnológico, entre tantos. Vamos buscar expandir o setor automotivo. Com duas empresas instaladas, a GM e BMW, o objetivo é atrair empresários de seguimentos paralelos. Manter-se pioneiro no polo logístico é outro desafio. Com os terminais portuários em expansão e empresas chegando vamos fomentar ainda mais o setor. Penso que na economia, sustentabilidade e desenvolvimento tecnológico são peças que se encaixam e precisam caminhar juntas. Precisamos estar preparados para problemas que possam surgir na economia mundial, com projetos e ações para o microempreendedor individual e para as multinacionais. Além disso, vamos trabalhar com uma gestão ambiental estratégica para garantir agilidade e eficiência nos processos de planejamento, conservação e licenciamento.

Comenta-se sobre a atração de empresas para Santa Catarina. Que tipo de segmento será prioridade e por quê?

Primeiro precisamos nos preocupar com os empresários que aqui estão, mas é claro que novas empresas já estão por vir e são muito bem-vindas, afinal, geram renda, empregos e fazem o Estado crescer. Não podemos permitir que empresas consolidadas deixem o Estado ou montem filiais em outros lugares. Sei que muito pode ser feito e não enxergo barreiras na frente. Não podemos focar em um só segmento, nós não podemos é parar de crescer.

Para o Vale do Itapocu, além do Centro de Inovação, que outros projetos a SDS tem?

Temos um específico para Jaraguá do Sul que é a Gestão Municipal para a Nova Economia, que visa aumentar a capacidade de investimento público com melhoria da gestão. A meta é que o município economize R$ 14 milhões em um ano. Vamos fortalecer a Fatma e a Jucesc (Junta Comercial) no município.

Qual será a atuação na cobrança pela duplicação da BR-280, especialmente o trecho urbano?

Tenho atuado incansavelmente para que esta obra saia do papel. Ao lado do governador, como deputado e secretário, as conversas foram retomadas e a obra deve ser contemplada em breve. Ela está licitada, já existe uma empresa vencedora e só precisamos driblar a burocracia. O que falta é o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes) terminar o processo de doação da rodovia, que é federal, para que o Estado faça a duplicação. Com relação à obra macro da BR-280, continuaremos cobrando através da Frente Parlamentar.

A balança comercial de Santa Catarina fechou com saldo negativo nos últimos anos. Quais os planos para o comércio exterior?

O governo do Estado fez uma opção de incentivos fiscais à importação e o que poderia parecer negativo num primeiro momento, possibilitou que Santa Catarina tivesse aumento crescente na arrecadação e no movimento econômico. A princípio, essa política se mantém, respeitando a vocação natural que surgiu por conta da infraestrutura de portos no Estado. Jaraguá do Sul fechou 2013 com saldo positivo de US$ 421 milhões. Foi a única cidade entre as cinco analisadas a ter uma evolução positiva nos últimos cinco anos. O crescimento foi de 10,9%. Precisamos avaliar bem estes balanços, somos um Estado inovador, economicamente ativo e o um dos poucos Estados brasileiros que se mantêm crescendo mesmo com tempos de instabilidade.

O governador Raimundo Colombo apresentou aos secretários um plano de redução de gastos. Quais serão os cortados na SDS?

A reunião foi realizada na semana passada e o pedido do governador é reduzir em 20%. Eu já solicitei um estudo apurado para o nosso setor administrativo identificar onde iremos cortar para atender esta solicitação do governador. As definições do que será feito vão ocorrer ainda esta semana.