Por: Márcio Schalinski | 4 anos atrás

Você já se questionou, em algum momento de sua vida, alguma proibição ou conduta que teve de seguir porque te disseram que Deus ordenou que fosse assim? Pois bem, o escritor e ilustrador do jornal O Correio do Povo Fernando Bastos colocou essas obrigações em dúvida e há cerca de 17 anos vem estudando a religião para tentar entender como tudo funciona. A pesquisa resultou em um livro, que será lançado na próxima semana e que coloca em cheque os “Crimes Cometidos em Nome de Deus” e procura instigar o leitor a procurar e a questionar alguns ensinamentos milenares ligados à religião.

Através da leitura da Bíblia e de textos de filósofos e teóricos, Fernando Bastos procurou respostas para perguntas sobre condutas religiosas que os deixava inquieto. “Eu queria entender como Deus que é bom, piedoso e amoroso poderia castigar tantas pessoas com proibições”, relata. A medida em que sua pesquisa foi avançando, seus questionamentos foram aumentando e passou a perceber que, talvez, muitas das regras delegadas à Deus, na verdade são humanas. A necessidade de escrever um livro bateu na porta. Uma prévia de seus estudos deu origem a “Teofania”, um romance onde também fala de religião, em 2009. “A história da religião, do livro sagrado, tudo isso foi modificado ao longo do tempo por vários fatores e o que temos hoje é o resultado de muitos conflitos e interpretações humanas, por isso acho importante refletirem sobre isso”, defende. Ele acredita que esse não questionamento possa ser devido a um “possível medo de um castigo divino nessa vida ou pós-morte, assim como o comodismo.”

“Não estou questionando a existência de Deus, nem o benefício da religião. O que estou questionando é se certas coisas que falaram sobre Deus são realmente dele ou fazem parte da cultura e pensamento ideológico de pessoas que viveram há três mil anos.”

Nas 177 páginas do novo trabalho, Bastos procura falar abertamente da religião, abordando principalmente o hinduísmo, islamismo, judaísmo e cristianismo afim de despertar nos leitores a curiosidade e o questionamento sobre suas crenças. “Não estou questionando a existência de Deus, nem o benefício da religião. O que estou questionando é se certas coisas que falaram sobre Deus são realmente dele ou fazem parte da cultura e pensamento ideológico de pessoas que viveram há três mil anos e continuam sendo disseminadas como verdaes divinas”, diz. Como exemplos, ele traz o caso dos Dalit, considerados “intocáveis” e impuros na Índia, e as mulheres que, muitas vezes, são obrigadas a se cobrir com véus, casais que não podem manter relações sexuais antes do casamento e a união de crianças com homens mais velhos em alguns países. Os exemplos ditos por Bastos trazem, por trás da ação, a justificativa divina. “Será que Deus realmente mandou isso ou as pessoas que estão usando o nome dele para justificar conceitos, ideias e opiniões humanas?”, questiona. Ele lamenta que em funções de crenças, da “moral religiosa”, milhares de pessoas sofram por todo o mundo.

Bastos pretende que seu livro seja útil para levantar o debate acerca do tema, mostrando que a religião tem sim uma contribuição para o mundo e que a crença em Deus é importante, mas que é preciso questioná-la para que a ela seja purificada. “Eu tenho uma ambição que pode ser exagerada, mas gostaria que esse livro chegasse à mão de milhares de pessoas, que ultrapassasse as fronteiras do Brasil e consiga ir em outros lugares e por pessoas que infelizmente tem usado Deus e a religião para provocar ódio, discórdia, intolerância e sofrimento’”, enfatiza.

O lançamento será no dia 10 de novembro, às 19h30, na Biblioteca Pública Municipal Rui Barbosa.O livro será vendido por R$ 42 diretamente com o autor ou no site da Editora Multifoco (www.editoramultifoco.com.br).