Por: Rafael Verch | 4 anos atrás

Santa Catarina é o quarto Estado brasileiro que mais comercializa agrotóxicos por hectare no país. Segundo a pesquisa Indicadores de Desenvolvimento Sustentável, publicada pelo IBGE na semana passada, foram comercializados 6,6 quilos de produtos para cada hectare de área plantada no Estado durante o ano de 2012. No país, a média é de 3,9 quilos por hectare ao ano, quantia que mais que dobrou em dez anos no Brasil.

O fato de Santa Catarina ser o quinto maior produtor de alimentos no país explica o uso intensivo desses produtos. De acordo com o Ibama, a comercialização de agrotóxicos no Estado em 2013 chegou a 10,764 mil toneladas. Essa quantidade é praticamente o dobro do volume vendido no ano 2000, de 5,3 mil toneladas.

O relatório do IBGE ressalta que o aumento da produção de alimentos de maneira sustentável continua sendo o grande desafio do setor agrícola. A preocupação está nos agravos à saúde da população, tanto para quem consome quanto para os trabalhadores que lidam diretamente com a aplicação dos produtos.

Em Jaraguá do Sul, uma iniciativa está incentivando o consumo de alimentos produzidos sem o uso de fertilizantes e agrotóxicos. A empreendedora Francielli Schütz abriu há um mês uma loja que vende exclusivamente produtos orgânicos. Frutas e hortaliças produzidas por nove agricultores de Jaraguá do Sul são oferecidas nas prateleiras. “É difícil trazer o produtor para o orgânico, porque requer mais cuidado, atenção e é o rendimento é sazonal. Esses agricultores não tinham como escoar o que plantavam, aí identificamos o potencial”, comenta.

O objetivo, como destaca, é fazer com que a compra do produto orgânico compense mais ao consumidor, que pode ter acesso a uma variedade maior de vegetais. “Esperamos que a aceitação seja tão boa como foi a procura antes de existir o ponto de venda”, afirma Francielli.

Estado tem 20% dos produtos com aplicação irregular de agrotóxicos

No ano passado, 20% dos produtos agrícolas vistoriados pela Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina) no Estado estavam com aplicação irregular de agrotóxicos. Esse índice de inconformidade é melhor que a média brasileira, de 35%, mas já foi menor. Em 2013, foi de 15%.
“Nos últimos quatro anos avançamos bastante, tínhamos um índice em 2011 próximo à média brasileira de hoje e reduzimos. Com as ações que estão sendo tomadas acredito que chegaremos a 5% em quatro ou cinco anos”, afirma o fiscal estadual agropecuário Matheus Fraga.

Ele destaca que Santa Catarina é o único Estado que faz monitoramento de resíduos de agrotóxicos em alimentos diretamente nos comércios. Atualmente, aproximadamente 900 estabelecimentos são fiscalizados anualmente.

“Nosso problema não é o excesso de agrotóxicos, é o mau uso. Muitos produtores usam quando não é necessário, sendo que o ideal é ter o produto como ferramenta controlada”, diz o fiscal.

Fraga reforça que o consumidor tem direito de saber a procedência do produto que está comprando. O rastreamento do produto, exigido pelo Estado, não é cumprido por todos os comerciantes e produtores.

O governo deve publicar nos próximos meses um decreto sobre produção, comércio, uso, transporte, consumo e armazenamento de agrotóxicos, para modernizar a regulamentação dos produtos e corrigir falhas da atual lei.