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CORAGEM - De admirador do esporte, Mário se tornou o brasileiro mais idoso a conquistar o céu (Foto: Eduardo Montecino)
CORAGEM - De admirador do esporte, Mário se tornou o brasileiro mais idoso a conquistar o céu (Foto: Eduardo Montecino)

Nas alturas aos 95 anos

9 de maio de 2014 as 19:54h
por Natália Trentini
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AVENTURA - Mesmo com problemas de saúde, Mário vive adrenalina ao enfrentar o segundo voo livre

Em um dos nove parapentes que coloriram o céu jaraguaense no fim da manhã de ontem estava o aposentado Mário Belaqua. Aos 95 anos, ele é a pessoa mais idosa do país a enfrentar um voo duplo, segundo o instrutor credenciado pela Associação Brasileira de Parapente, Andy Moreira. E essa já é a segunda vez que ele enfrenta as alturas.

A tranquilidade parecia acompanhar Mário. Os olhos azuis brilhavam ao ver as decolagens no topo do Morro do Boa Vista, enquanto se preparava para a descida. A dificuldade de expressão com as palavras, devido a um câncer que debilitou as cordas vocais do idoso, era totalmente compensada pela força no semblante. A fascinação era nítida, demonstrada pelo sorriso e certa agitação.

Andy acompanhou o aposentado nos dois voos, o primeiro foi em Pomerode na metade do ano passado. Ele chegou até Mário por indicação de um amigo em comum. “Contaram que ele ficava na varanda horas de frente ao morro, para ver os parapentes. Ele sabia os horários e sentava lá para observar. Então resolvemos realizar esse desejo e ele teve coragem”, conta. O instrutor já passeou pelo céu com crianças, jovens, adultos, pessoas com deficiência física, mas nunca com alguém em uma idade tão avançada.

A coragem atípica impressionou até os esportistas mais experientes. “Eu estava junto do primeiro voo dele, e foi na boa. Quando desceu estava sossegado e feliz. Chegar nessa idade e fazer algo assim, nunca vi”, comentou Antonio Bruhmulle.

Mesmo com certa dificuldade para deixar o chão, Mário permaneceu firme. Figura serena, afetuosa e bem humorada. A disposição escondia a idade avançada, ele enfrentou o nervosismo de frente. Foram três tentativas até a saída ser perfeita e segura. Eles planaram por cerca de 20 minutos e desceram na pista de pouso do Jaraguá Clube de Voo Livre.

“Gostei, gostei, mas ainda estou um pouco fraco das pernas”, comentou ao chegar ao solo e com olhar atento aos outros parapentes que sobrevoavam o local.

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